{"id":1115,"date":"2026-11-03T19:00:00","date_gmt":"2026-11-03T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/?p=1115"},"modified":"2026-10-28T16:39:43","modified_gmt":"2026-10-28T19:39:43","slug":"o-detetive-parker-pyne-agatha-christie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/resenhas\/o-detetive-parker-pyne-agatha-christie\/","title":{"rendered":"[Resenha] O Detetive Parker Pyne \u2013 Agatha Christie"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-medium\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"180\" height=\"300\" src=\"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Resenha-O-Detetive-Parker-Pyne-\u2013-Agatha-Christie-capa-180x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1117\" srcset=\"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Resenha-O-Detetive-Parker-Pyne-\u2013-Agatha-Christie-capa-180x300.jpg 180w, https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Resenha-O-Detetive-Parker-Pyne-\u2013-Agatha-Christie-capa-615x1024.jpg 615w, https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Resenha-O-Detetive-Parker-Pyne-\u2013-Agatha-Christie-capa-768x1278.jpg 768w, https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Resenha-O-Detetive-Parker-Pyne-\u2013-Agatha-Christie-capa.jpg 901w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>T\u00edtulo original:<\/strong> <em>Parker Pyne Investigates<\/em> (1934)<br><strong>Autora:<\/strong> Agatha Christie<br><strong>Editora:<\/strong> L&amp;PM<br><strong>Categoria:<\/strong> Livros \u2014 contos policiais<br><strong>Conte\u00fado:<\/strong> 14 contos<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de duas leituras de subtexto denso \u2014 o filos\u00f3fico e exigente <em>Hereges de Duna<\/em> e o misterioso (n\u00e3o resisti!) <em>A Ilha Misteriosa<\/em> \u2014, caiu em minhas m\u00e3os algo bem mais leve: <em>O Detetive Parker Pyne<\/em>, de Agatha Christie. A Rainha do Crime est\u00e1 entre as minhas autoras prediletas, e justamente por isso me custa admitir que este \u00e9 um de seus livros que considero bem abaixo da m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 apenas a segunda vez que isso me acontece com ela. A primeira foi uma colet\u00e2nea de contos de mist\u00e9rios sobrenaturais, com uma tem\u00e1tica pr\u00f3xima ao espiritismo de Allan Kardec. Ali, sem preconceito algum, o problema foi simplesmente o tema, que n\u00e3o me agrada como entretenimento. Aqui a quest\u00e3o \u00e9 outra: a escrita me pareceu pouco inspirada, um tanto pregui\u00e7osa, ouso dizer.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sinopse<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parker Pyne n\u00e3o se considera um detetive. Ele se apresenta como um especialista em felicidade e anuncia seus servi\u00e7os nos jornais com uma frase provocativa: <em>&#8220;Voc\u00ea \u00e9 feliz? Se n\u00e3o for, consulte o sr. Parker Pyne.&#8221;<\/em> Durante 35 anos, foi funcion\u00e1rio p\u00fablico, compilando estat\u00edsticas numa reparti\u00e7\u00e3o do governo. Aposentado, decidiu aplicar essa experi\u00eancia na compreens\u00e3o dos problemas humanos \u2014 e, de quebra, ganhar algum dinheiro com isso. Segundo ele, existem cinco grandes categorias de infelicidade e, uma vez diagnosticada a causa, a cura \u00e9 garantida, como num tratamento m\u00e9dico: se o mal tiver rem\u00e9dio, o cliente sai curado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A origem do personagem \u00e9 curiosa e est\u00e1 contada no pref\u00e1cio da pr\u00f3pria autora. Christie teve a ideia ao ouvir, num restaurante, um homem que falava animadamente a um amigo sobre estat\u00edstica. Ela tomou emprestados o tema da conversa e a apar\u00eancia f\u00edsica do desconhecido, e assim nasceu Parker Pyne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A edi\u00e7\u00e3o nacional da L&amp;PM re\u00fane os doze contos publicados originalmente em <em>Parker Pyne Investigates<\/em>, de 1934, mais dois publicados posteriormente, dispostos em ordem cronol\u00f3gica. As hist\u00f3rias acompanham duas fases da vida do personagem. Na primeira, vemos o sr. Pyne em seu escrit\u00f3rio londrino, atendendo clientes infelizes. Na segunda, acompanhamos uma tumultuada temporada de viagens \u2014 do Expresso do Oriente ao Nilo, de Bagd\u00e1 a Delfos \u2014, em que ele \u00e9 for\u00e7ado, mais de uma vez, a agir como o detetive que insiste n\u00e3o ser.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os casos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Primeira parte \u2014 o escrit\u00f3rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><em><strong>O caso da esposa de meia-idade<\/strong><\/em> \u2014 Maria Packington v\u00ea o marido, enfim bem-sucedido, dedicar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 jovem secret\u00e1ria do que a ela.<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>O caso do soldado descontente<\/strong><\/em> \u2014 Um major rec\u00e9m-aposentado depois de anos na \u00c1frica Oriental definha de t\u00e9dio na pacata vida inglesa.<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>O caso da senhora angustiada<\/strong><\/em> \u2014 Uma jovem endividada pelo jogo quer devolver, sem ser descoberta, o anel de diamantes que trocou por uma imita\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>O caso do marido descontente<\/strong><\/em> \u2014 Um marido tem seis meses para reconquistar a esposa entediada antes que ela pe\u00e7a o div\u00f3rcio.<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>O caso do funcion\u00e1rio do escrit\u00f3rio<\/strong><\/em> \u2014 Um pacato funcion\u00e1rio de meia-idade quer viver, ao menos uma vez, uma aventura de verdade.<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>O caso da mulher rica<\/strong><\/em> \u2014 Uma vi\u00fava milion\u00e1ria percebe que a fortuna n\u00e3o lhe trouxe a felicidade que tinha na vida simples.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Segunda parte \u2014 as viagens<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol start=\"7\" class=\"wp-block-list\">\n<li><em><strong>Voc\u00ea tem tudo o que quer?<\/strong><\/em> \u2014 No Expresso do Oriente, uma jovem esposa se inquieta com uma mensagem enigm\u00e1tica deixada pelo marido.<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>O port\u00e3o de Bagd\u00e1<\/strong><\/em> \u2014 Numa travessia de \u00f4nibus pelo deserto, entre Damasco e Bagd\u00e1, um dos passageiros aparece morto.<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>A casa de Shiraz<\/strong><\/em> \u2014 Uma inglesa vive reclusa na P\u00e9rsia, e por tr\u00e1s de seu isolamento h\u00e1 uma trag\u00e9dia antiga.<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>A p\u00e9rola de grande valor<\/strong><\/em> \u2014 Uma p\u00e9rola desaparece durante uma excurs\u00e3o a Petra, e a suspeita recai sobre um ex-ladr\u00e3o regenerado.<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>Morte no Nilo<\/strong><\/em> \u2014 A bordo de um barco no Nilo, uma rica passageira suspeita que o marido a esteja envenenando. (N\u00e3o confundir com o romance hom\u00f4nimo protagonizado por Hercule Poirot.)<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>O or\u00e1culo de Delfos<\/strong><\/em> \u2014 Viajando inc\u00f3gnito, Pyne descobre que algu\u00e9m est\u00e1 usando o seu nome.<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>Problemas em Pollensa Bay<\/strong><\/em> \u2014 Em Maiorca, uma m\u00e3e quer impedir o filho de se casar com a mo\u00e7a que ela desaprova.<\/li>\n\n\n\n<li><em><strong>O mist\u00e9rio da regata<\/strong><\/em> \u2014 Uma aposta de m\u00e1gica faz um diamante valios\u00edssimo desaparecer \u2014 de verdade.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"366\" height=\"210\" src=\"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/BgAj.gif\" alt=\"Cuidado: alerta de spoiler!\" class=\"wp-image-34\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cuidado: alerta de spoiler!<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">An\u00e1lise<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O especialista que fabrica a verdade<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tra\u00e7o mais caracter\u00edstico de Parker Pyne \u00e9 sua disposi\u00e7\u00e3o para manipular as circunst\u00e2ncias em vez de simplesmente observar os acontecimentos. Ele monta encena\u00e7\u00f5es elaboradas, induz pessoas a acreditar em situa\u00e7\u00f5es fict\u00edcias e provoca rea\u00e7\u00f5es emocionais para trazer \u00e0 tona desejos e inten\u00e7\u00f5es ocultos. J\u00e1 no primeiro conto, o m\u00e9todo fica claro: a sra. Packington acredita que o problema \u00e9 apenas o marido, mas Pyne percebe que o casal se distanciou dos dois lados \u2014 e organiza tudo para que ambos descubram isso por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa abordagem lembra a dos protagonistas de <em>Lie to Me<\/em> e <em>The Mentalist<\/em>: todos combinam observa\u00e7\u00e3o agu\u00e7ada, dedu\u00e7\u00e3o e conhecimento da psicologia humana para compreender as motiva\u00e7\u00f5es alheias. Mas Pyne vai al\u00e9m de interpretar comportamentos e identificar mentiras. Em vez de apenas descobrir a verdade, ele cria as condi\u00e7\u00f5es para que ela venha \u00e0 tona, numa estrat\u00e9gia que transforma a pr\u00f3pria investiga\u00e7\u00e3o em uma esp\u00e9cie de teatro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua capacidade de observa\u00e7\u00e3o o aproxima de Sherlock Holmes \u2014 basta um olhar sobre as roupas, a postura e a linguagem corporal de um cliente para que ele deduza quase toda a sua vida. A diferen\u00e7a est\u00e1 na maneira como cada um lida com o pr\u00f3prio intelecto. Holmes aprecia reconstruir seu racioc\u00ednio diante da plateia, demonstrando como detalhes aparentemente insignificantes conduzem \u00e0 solu\u00e7\u00e3o. Pyne parece ter pouca paci\u00eancia para esse tipo de exposi\u00e7\u00e3o: interessa-lhe mais chegar \u00e0 resposta e coloc\u00e1-la em pr\u00e1tica do que exibir o percurso mental que o levou at\u00e9 ela. Para Holmes, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de brilhantismo; para Pyne, o racioc\u00ednio \u00e9 uma ferramenta pragm\u00e1tica, subordinada \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do problema. E h\u00e1 outra diferen\u00e7a fundamental: em vez de grandes crimes, Pyne se interessa pelos dramas comuns da vida cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O elenco de apoio \u2014 e duas estreias ilustres<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para executar seus planos, Pyne conta com colaboradores especializados em disfarces, sedu\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is. O elegante Claude Luttrell \u00e9 o mais interessante deles, e revela o lado um tanto perverso do patr\u00e3o: Claude costumava aplicar golpes em senhoras ricas, e Pyne d\u00e1 a entender que pode revelar suas indiscri\u00e7\u00f5es passadas, o que torna sua colabora\u00e7\u00e3o menos volunt\u00e1ria do que parece. N\u00e3o por acaso, o pr\u00f3prio Claude demonstra certo remorso pela natureza profissional de sua participa\u00e7\u00e3o no primeiro caso. Completa o time a sedutora Madeleine de Sara, pe\u00e7a-chave em v\u00e1rios dos planos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas os nomes que mais chamam a aten\u00e7\u00e3o do leitor veterano de Christie s\u00e3o outros dois. O primeiro \u00e9 Felicity Lemon, que come\u00e7ou sua trajet\u00f3ria liter\u00e1ria como secret\u00e1ria de Parker Pyne antes de se tornar famosa \u2014 j\u00e1 como Miss Lemon \u2014 ao lado de Hercule Poirot.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo \u00e9 Ariadne Oliver, escritora de mist\u00e9rios de sucesso e criadora do detetive finland\u00eas Sven Hjerson. Oliver funciona como um alter ego liter\u00e1rio de Agatha Christie, permitindo que a autora comente, de dentro da pr\u00f3pria fic\u00e7\u00e3o, os clich\u00eas, as conven\u00e7\u00f5es e at\u00e9 os absurdos do g\u00eanero policial. Assim como Christie, ela precisa lidar com as expectativas do p\u00fablico, com as peculiaridades do mercado editorial e com um personagem cuja popularidade parece escapar ao controle de sua criadora. Na equipe de Pyne, h\u00e1 ainda uma camada deliciosa: \u00e9 ela quem escreve os roteiros das aventuras encenadas para os clientes \u2014 a romancista policial literalmente inventando as fic\u00e7\u00f5es que o &#8220;detetive&#8221; p\u00f5e em cena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de um exerc\u00edcio de metalinguagem muito anterior ao sucesso do recurso nos filmes do Deadpool ou nos quadrinhos da Mulher-Hulk de John Byrne. Ao contr\u00e1rio desses exemplos, por\u00e9m, Oliver n\u00e3o rompe a quarta parede nem se dirige ao leitor reconhecendo estar dentro de uma obra de fic\u00e7\u00e3o. O recurso de Christie \u00e9 mais sutil: ela introduz na narrativa uma escritora que lhe permite refletir sobre o pr\u00f3prio ato de escrever hist\u00f3rias policiais \u2014 algo que ganharia contornos ainda mais n\u00edtidos nas apari\u00e7\u00f5es posteriores da personagem ao lado de Poirot.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Duas metades distintas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os seis primeiros contos seguem uma estrutura bastante repetitiva, como nas s\u00e9ries de TV citadas acima: Pyne recebe um cliente, identifica a origem da infelicidade e monta uma situa\u00e7\u00e3o para resolver o problema. Os planos v\u00e3o do singelo ao mirabolante \u2014 o de <em>O caso da mulher rica<\/em> \u00e9 de longe o mais complexo, e seu resultado leva meses para se cristalizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1, contudo, uma exce\u00e7\u00e3o importante. Em <em>O caso do marido descontente<\/em>, os sentimentos dos envolvidos fogem ao roteiro, e a encena\u00e7\u00e3o sai completamente do controle. \u00c9 a \u00fanica vez em que um plano de Pyne fracassa, e isso \u00e9 bem-vindo: mostra que, apesar da garantia de sucesso estampada no an\u00fancio, o especialista em felicidade n\u00e3o \u00e9 infal\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda metade, as f\u00e9rias de Pyne mudam o registro da colet\u00e2nea. Longe do escrit\u00f3rio, ele se v\u00ea diante de roubos, fraudes e at\u00e9 assassinatos, e acaba agindo como um detetive convencional. Apenas em <em>Problemas em Pollensa Bay<\/em> o m\u00e9todo original reaparece por inteiro \u2014 um conflito humano, n\u00e3o um crime, resolvido com a ajuda de Madeleine de Sara.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A ideia contra a execu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 aqui que mora minha principal cr\u00edtica. Embora seja uma leitura agrad\u00e1vel, o livro n\u00e3o tem a genialidade das obras mais famosas da autora. Pyne \u00e9 um personagem interessante, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o complexo e tridimensional quanto Hercule Poirot ou Miss Marple, ficando mais pr\u00f3ximo do Superintendente Battle: algu\u00e9m que chega e resolve a quest\u00e3o, sem que precisemos nos aprofundar em sua personalidade e em suas motiva\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As hist\u00f3rias s\u00e3o curtas e r\u00e1pidas e, embora bem escritas, passam a sensa\u00e7\u00e3o de ser resumidas, como se tivesse faltado espa\u00e7o para um desenvolvimento melhor. Os casos foram concebidos como contos, muitos deles publicados originalmente em revistas. Alguns t\u00eam f\u00f4lego para desenvolver personagens e reviravoltas; outros funcionam quase como pequenos exerc\u00edcios de engenhosidade. Como o mecanismo se repete, Christie frequentemente salta direto para o conflito e para a solu\u00e7\u00e3o, sem desenvolver as etapas intermedi\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nota-se que o interesse est\u00e1 na ideia, n\u00e3o necessariamente no desenvolvimento. Em v\u00e1rios contos, a gra\u00e7a reside apenas no plano engenhoso de Pyne, o que deixa a impress\u00e3o de que a autora apresentou uma boa premissa e encerrou a hist\u00f3ria antes de explorar todas as suas possibilidades. No fim das contas, gostei mais da ideia de Parker Pyne \u2014 especialmente de seus m\u00e9todos psicol\u00f3gicos \u2014 do que da execu\u00e7\u00e3o de boa parte das hist\u00f3rias. Uma premissa interessante nem sempre resulta em uma narrativa satisfat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pontos positivos<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Premissa original: um &#8220;detetive&#8221; que investiga a infelicidade, e n\u00e3o crimes<\/li>\n\n\n\n<li>Os m\u00e9todos psicol\u00f3gicos de Pyne e suas encena\u00e7\u00f5es engenhosas<\/li>\n\n\n\n<li>As estreias de Miss Lemon e Ariadne Oliver, com o sutil exerc\u00edcio de metalinguagem proporcionado pela segunda<\/li>\n\n\n\n<li>Um plano fracassado, que impede o protagonista de soar infal\u00edvel<\/li>\n\n\n\n<li>Leitura leve, r\u00e1pida e agrad\u00e1vel, com a eleg\u00e2ncia habitual da autora<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pontos negativos<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Contos curtos demais, com sensa\u00e7\u00e3o de resumo<\/li>\n\n\n\n<li>Estrutura repetitiva nos primeiros casos<\/li>\n\n\n\n<li>Protagonista pouco desenvolvido, sem a profundidade de Poirot ou de Miss Marple<\/li>\n\n\n\n<li>Escrita menos inspirada do que nas obras mais c\u00e9lebres de Christie<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O Detetive Parker Pyne<\/em> \u00e9 uma leitura leve e agrad\u00e1vel, ideal para um intervalo entre obras mais densas, mas est\u00e1 longe de representar o melhor de Agatha Christie. A premissa do especialista em felicidade \u00e9 \u00f3tima, e os m\u00e9todos do personagem renderiam muito mais do que contos t\u00e3o breves conseguem oferecer. Recomendo o livro principalmente aos f\u00e3s da autora que desejam completar a cole\u00e7\u00e3o e aos curiosos pela origem de Miss Lemon e Ariadne Oliver. Para quem nunca leu a Rainha do Crime, por\u00e9m, a porta de entrada ideal continua sendo Poirot ou Miss Marple.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E voc\u00ea, conhece o sr. Parker Pyne? Acha que ele merecia um romance s\u00f3 seu, com espa\u00e7o para mostrar do que seus m\u00e9todos s\u00e3o capazes?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nota do Vini: 6\/10 \ud83d\ude42<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Vin\u00edcius Arag\u00e3o Costa escreve sobre s\u00e9ries, quadrinhos e cultura geek em saladejustica.com.br.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E se voc\u00ea pudesse encomendar um caso ao sr. Parker Pyne, qual seria a sua queixa? Conte nos coment\u00e1rios \u2014 prometemos n\u00e3o cobrar adiantado. Nos encontre no X em <a href=\"https:\/\/x.com\/salajusticablog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@salajusticablog<\/a>, no <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/saladejusticablog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instagram<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/saladejusticablog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Facebook<\/a> em @saladejusticablog.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Voc\u00ea \u00e9 feliz? Se n\u00e3o for, consulte o sr. Parker Pyne.&#8221; Com esse an\u00fancio, um estat\u00edstico aposentado passa a vender felicidade e a montar farsas sob medida para curar os clientes. Agatha Christie parte de uma premissa irresist\u00edvel e ainda apresenta Miss Lemon e Ariadne Oliver, mas ser\u00e1 que os 14 contos est\u00e3o \u00e0 altura da Rainha do Crime?<\/p>\n<div class=\"more-link-wrapper\"><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/resenhas\/o-detetive-parker-pyne-agatha-christie\/\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\">[Resenha] O Detetive Parker Pyne \u2013 Agatha Christie<\/span><\/a><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1118,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[149,131,150],"class_list":["post-1115","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resenhas","tag-agatha-christie","tag-literatura","tag-misterio","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1115","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1115"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1115\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1119,"href":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1115\/revisions\/1119"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/saladejustica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}