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[Conto] Redenção – Ato 1

🎶 Para ler ouvindo: Batman: The Dark Knight Returns (Original Motion Picture Soundtrack)
Recomendação etária: 16 anos

Ato 1 — O Andarilho

A chuva caía sobre Novarca há três dias.

Não era a chuva limpa de antes da Guerra dos Céus — essa tinha um cheiro metálico, quase mineral, como se a atmosfera ainda não tivesse esquecido o que atravessara. As calçadas rachadas da Rua do Mercado acumulavam poças cor de ferrugem, e os moradores que ainda insistiam em viver no centro da cidade aprenderam a não olhar para o céu quando chovia. Era mais fácil assim.

Maren Solís estava varrendo a entrada da sua loja quando o viu.

Ela tinha sessenta e três anos, havia perdido o marido na queda da Muralha Norte, e mantinha entre as prateleiras empoeiradas do seu estabelecimento a maior coleção de livros proibidos de todo o distrito. Não era uma rebelde por vocação — era uma guardiã por teimosia. Havia uma diferença, ela costumava dizer, embora não fosse capaz de explicá-la direito.

O andarilho vinha pela rua como se a chuva não existisse.

Não era que ele estivesse seco — estava encharcado como qualquer outro. Era a postura. A maioria das pessoas caminhava curvada sob o temporal, encolhida, como se pudesse se tornar menor do que a tempestade. Ele caminhava ereto, sem pressa, os olhos fixos na direção em que seguia. Era alto, mais alto do que parecia à distância, com uma mochila desgastada nas costas e roupas que já tinham sido de outras cores antes de se tornarem aquele cinza indefinido de quem viaja há muito tempo.

Maren não saberia dizer o que a fez parar de varrer.

Talvez fosse a postura. Talvez fosse o jeito como ele olhava para os prédios em ruínas com uma expressão que não era de curiosidade nem de indiferença — era de algo que ela demoraria dias para nomear. Reconhecimento. Como alguém que volta a um lugar que destruiu e não sabe se tem direito de lamentá-lo.

Ele parou em frente à loja.

— Você vende livros — disse. Não era uma pergunta.

— Vendo remédios — respondeu Maren, sem largar a vassoura. — Os livros são para leitura pessoal.

Era a resposta padrão. Qualquer fiscal do Conselho de Reconstrução saberia que era mentira, mas os fiscais tinham aprendido a não visitar o bloco dela desde que a velha Joana Ferreira, três lojas adiante, começara a manter um cão de guarda com um temperamento notavelmente seletivo.

O andarilho olhou para ela por um momento. Depois, quase imperceptivelmente, o canto da boca se moveu.

— Posso entrar?


Dentro da loja, cheirava a papel velho e a algo que Maren identificava como o perfume específico de histórias guardadas por tempo demais. As prateleiras iam até o teto, tortas e improvisadas, cada centímetro ocupado. Na vitrine, exposta com a discrição calculada de quem sabe o que pode e o que não pode mostrar, havia apenas uma fileira de manuais técnicos e um dicionário encadernado em couro sintético.

Os livros de verdade ficavam nos fundos.

O andarilho seguiu Maren em silêncio pelo corredor estreito. Ela observava o reflexo dele nas janelas laterais — um hábito antigo, de quando ainda havia razões mais imediatas para desconfiar de estranhos. Ele não tocava em nada. Apenas olhava, com aquela expressão que ela ainda não conseguia nomear direito.

Nos fundos, as prateleiras mudavam de caráter.

Aqui estavam os volumes que o Conselho de Reconstrução classificava como material de evasão histórica — a linguagem burocrática para qualquer coisa que lembrasse às pessoas que o mundo já havia sido diferente. Graphic novels encapadas em plástico transparente, com lombadas desbotadas e cantos amassados. Coleções encadernadas com capas ilustradas. Edições de luxo que sobreviveram à queima de bibliotecas de doze anos atrás porque alguém, em algum momento, havia achado que valiam o risco.

O andarilho parou.

Estava diante de uma prateleira específica. Maren não precisou ver o título para saber qual era — ela sabia cada livro daquela seção de cor, sabia qual deles fazia as pessoas pararem.

Solum: A Saga Completa. Volume único, edição do trigésimo aniversário, capa dura com acabamento em relevo dourado. A figura na capa se erguia contra um céu azul que já não existia mais, os braços abertos, o rosto voltado para a luz com uma expressão que os artistas de antes da guerra sabiam capturar e os de depois haviam esquecido como se fazia.

Esperança sem ingenuidade. Força sem arrogância.

O andarilho ficou parado por um tempo longo demais.

— Você o conheceu? — perguntou Maren, sem saber bem por que perguntava.

— Sim — respondeu o andarilho, a voz baixa. — Nós nos encontramos uma vez.

Ele estendeu a mão e tocou a lombada do livro com a ponta dos dedos — não para pegar, apenas para tocar — com um cuidado que parecia excessivo para um estranho diante de uma relíquia qualquer.

Maren observou a mão.

Não havia cicatrizes, o que era incomum para alguém que claramente havia sobrevivido a coisas. As mãos de quem viveu a reconstrução carregavam marcas — de trabalho, de escassez, de violência ocasional. As dele eram lisas. Quase perfeitas.

Ela engoliu o pensamento antes que ele se formasse completamente.


Fragmentos

Começo pelo começo, porque é a única forma honesta de fazer isso.

Não vim para este universo por vontade própria.

O Asas de Couro do meu mundo — o homem sem poderes que se recusava a aceitar que havia coisas além da sua capacidade de controlar — descobriu o que eu era antes que eu percebesse que ele sabia. Não sei até hoje como. Ele era assim: paciente como uma armadilha, silencioso como uma conclusão. Quando agiu, foi rápido demais para que eu reagisse. Usou algo que havia construído especificamente para mim — uma arma que eu não sabia que existia, que fez de mim, por alguns instantes, uma coisa muito próxima de um homem comum.

Esses instantes foram suficientes.

A passagem que ele abriu não era para me matar. Era pior. Era para me colocar num lugar onde eu não pudesse fazer mal ao mundo que ele protegia — e a mais ninguém.

Caí neste universo sem referências, sem aliados, sem nada além do que sempre tive — o poder, e a certeza de que o poder me dava razão. Encontrei um mundo cheio de seres como eu haveria podido ser. Heróis. E onde deveria ter encontrado cautela, encontrei fome. Uma raiva que não era bem raiva, mas que eu não sabia chamar de outra coisa.

Acredito que ele pretendia me enviar para um universo desabitado. Ele tinha em mãos o poder para acabar com tudo, fraco como eu estava, mas escolheu apenas me condenar a uma solitária perpétua. Mal sabia ele que estaria, em vez disso, condenando um mundo muito semelhante ao dele à destruição.

Me preparei por meses.

Não fui um destruidor caótico — fui metódico. Recrutei cada vilão que este mundo havia produzido e descartado, cada ser que carregava poder e ressentimento em medidas iguais. Organizei. Dividi o mundo em setores e designei oficiais para cada um — seres que representariam minha vontade onde houvesse grupos de heróis resistindo. Em cada continente, em cada cidade que tivesse alguém capaz de opor resistência, havia alguém meu chegando primeiro.

Para mim reservei apenas três confrontos. As contrapartes dos heróis que me derrotaram no meu universo — uma conta a ser ajustada, acreditei na época, com a versão do mundo que me havia expulsado.

E reservei o Solum para o fim.

Porque o Solum era o que tudo aquilo havia sido construído para enfrentar.


Ele voltou no dia seguinte.

E no outro.

Maren aprendeu que ele se chamava Cal — apenas Cal, sem sobrenome, o que não era incomum numa época em que muita gente havia descartado a segunda metade do nome junto com tudo o mais que não servia para o novo mundo. Aprendeu que ele não ficava num lugar fixo, que dormia onde havia espaço, que não parecia precisar de muito. Aprendeu que ele escutava mais do que falava, mas que quando falava, valia a pena ouvir.

Aprendeu, também, que algo nele atraía as pessoas como um campo gravitacional silencioso.

Começou pequeno. Uma briga no mercado, dois homens do Conselho pressionando uma família por impostos atrasados. Cal apareceu entre eles sem pressa, disse algumas palavras em voz baixa, e os homens do Conselho foram embora. Ninguém entendeu exatamente o que havia sido dito. Mas foram.

Depois, o desabamento no Setor Leste. Um bloco residencial que o Conselho havia declarado estável apesar das fissuras visíveis na estrutura — porque estável, no vocabulário do Conselho, significava estável o suficiente para não ser responsabilidade nossa. Quando o teto do segundo andar cedeu sobre três famílias, Cal estava a dois quarteirões de distância.

Foi o que as pessoas disseram depois. Estava a dois quarteirões. Chegou rápido demais. Levantou a viga sozinho, você viu? Uma viga daquelas, sozinho.

Maren ouviu os relatos com o cuidado de quem sabe o peso que as palavras carregam.

Começaram a aparecer na sua loja — pessoas que queriam saber. Pessoas que haviam guardado os livros em lugares secretos e agora os traziam à tona com mãos que tremiam levemente, como se o ato de segurar aquelas capas coloridas fosse ao mesmo tempo sagrado e assustador. Queriam comparar. Queriam encontrar nos traços impressos em papel a confirmação do que queriam acreditar.

— É ele — disse uma mulher de meia-idade, segurando um exemplar avulso com capa plastificada, o dedo pousado sobre o rosto na ilustração. — Olha o queixo. É igualzinho.

— Todos os queixos são parecidos — disse Maren.

— Você não acredita?

Maren acreditava em coisas verificáveis. Acreditava que os livros preservavam memória e que memória era poder. Acreditava que o Conselho de Reconstrução havia construído sua autoridade sobre o vazio deixado pelos heróis, e que qualquer coisa que perturbasse esse vazio seria respondida com violência proporcional ao tamanho da perturbação.

Acreditava, também, que havia algo errado com Cal que ela ainda não conseguia articular.


Fragmentos

O Solum foi o último.

Não por estratégia — por inevitabilidade. Tudo o mais havia sido preparação. Os meses de planejamento, os oficiais espalhados pelos continentes, os três confrontos que reservei para mim — tudo convergia para aquele momento. Para aquele homem. Para o que quer que ele fosse, porque homem não era exatamente, assim como eu não era.

Lutamos por um tempo que não sei medir. Não porque ele fosse mais forte — não era, ou pelo menos não o suficiente. Mas porque ele lutava de um jeito que me perturbava. Cada vez que eu o derrubava e me preparava para o golpe final, algo me detinha. Não fraqueza — conheço minha força, nunca a ignorei. Era outra coisa.

Era o jeito como ele olhava para mim enquanto caía, exausto e sangrando, sem ódio.

Com pesar.

Como se eu fosse algo que ele lamentasse, não algo que ele temesse. Como se, por baixo de tudo que eu havia feito — os meses de planejamento, as cidades, a guerra inteira — ele ainda enxergasse alguma coisa que eu não conseguia ver em mim mesmo.

No fim, quando o resultado estava claro e ele não tinha mais como continuar, me aproximei. A arma que havia tomado do Asas de Couro deste universo depois de derrotá-lo — construída com o mesmo princípio daquela que o meu havia usado contra mim, mas aperfeiçoada com o conhecimento de quem me havia estudado por meses — estava na minha mão. Eu a havia usado para chegar até ali. Agora não precisava mais dela.

Estava pronto para dizer o que havia planejado dizer desde o começo: que este mundo era meu, que eu governaria com a mão de ferro que nenhum Asas de Couro de nenhum universo conseguiria dobrar, que a era dos heróis havia terminado e uma nova ordem começaria.

Disse tudo isso.

Ele me olhou. Não com raiva. Não com desespero. Com aquela expressão — e disse, com a voz cansada de quem não tem mais nada a perder além da verdade:

— Que… mundo… ? Olhe… ao redor. Você… o destruiu…

E morreu.

Fiquei parado sobre os escombros por um tempo. Depois usei minha visão telescópica até milhares de quilômetros de distância — varri tudo em volta, até onde era possível ver.

Morte. Destruição. Cidades que haviam sido cidades. Pessoas que haviam sido pessoas.

Venci tudo.

Não tinha nada.


Naquela noite, depois que a loja fechou, Maren abriu o volume grande.

Não era a primeira vez — ela o havia lido inteiro pelo menos quatro vezes, o que para uma mulher que lidava com livros proibidos era menos pesquisa e mais devoção. Mas desta vez ela foi direto para a seção que evitava.

A Guerra dos Céus.

Os artistas haviam capturado aquilo com uma honestidade que ainda doía. Não havia glorificação nas páginas — havia devastação documentada com o rigor de quem sabe que está registrando o fim de uma era. Cidades abertas como frutas. Heróis caindo. E no centro de tudo, enfrentando-se em painéis que ocupavam páginas inteiras, os dois.

Solum e seu espelho.

Maren havia pensado muitas vezes sobre o que separava os dois nas ilustrações. O vilão usava as mesmas cores invertidas — o azul virava preto, o vermelho virava um carmesim escuro. Mas não era isso que os distinguia. Era a expressão. Solum olhava para o adversário com algo que os roteiristas haviam chamado de pesar — não ódio, não determinação pura, mas a tristeza específica de quem enfrenta o que poderia ter sido outra coisa.

O outro olhava com fome.

Maren fechou o livro.

Ficou sentada no escuro por um longo tempo, com a mão sobre a capa, pensando no jeito como Cal havia tocado a lombada. No cuidado excessivo. Na expressão que ela finalmente havia conseguido nomear.

Não era reconhecimento.

Era culpa.


Fragmentos

Vaguei pelo mundo por um tempo que o calendário não mede.

Vi cada consequência do que havia feito — não como memória, mas como presença constante, a clareza cruel de quem não pode fechar os olhos para o que os olhos alcançam. Vi as cidades. Vi as famílias. Vi as crianças que não tinham feito nada além de nascer no universo errado — no universo que eu havia escolhido como campo de batalha para uma guerra que não era delas.

Vi o rosto do Solum caindo. Vi a expressão que eu não havia conseguido entender na hora.

Entendi, no silêncio entre os escombros que viraram túmulos.

Ele não lamentava a derrota. Lamentava o que eu poderia ter sido. Porque ele sabia — assim como o Asas de Couro do meu universo sabia, assim como todos eles sabiam de formas que eu me recusei a ver — que eu era exatamente como eles. Mesma origem. Mesmo poder. Outra escolha.

Comecei a pensar no que significa ser um monstro que sabe o que é.

Depois, depois de muito tempo, comecei a pensar se havia outra coisa que um monstro poderia se tornar.

Não absolvição — isso eu sabia que não existia, e não era o que eu queria. Era outra coisa: menor, mais honesta, mais difícil. A possibilidade de fazer diferente. Não para apagar o que havia sido feito, mas porque o que havia sido feito não poderia ser a última palavra.

Voltei.

Não ao meu universo — não havia nada para voltar. Voltei a este. Ao único lugar onde o peso que carrego tem um endereço.


Cal voltou à loja numa manhã sem chuva — a primeira em duas semanas — com o céu branqueado pelo tipo de luz difusa que era o máximo que Novarca conseguia oferecer agora.

Maren estava organizando uma entrega nos fundos quando ouviu a campainha. Quando chegou ao balcão, ele já estava dentro, parado no meio da loja, olhando para as prateleiras da frente com as mãos nos bolsos.

— Você sabe — disse ele, sem se virar.

Não era uma pergunta.

Maren colocou a caixa que carregava sobre o balcão com cuidado.

— Há três dias — respondeu.

Silêncio.

— Vai me denunciar? — perguntou ele. A voz era neutra, como alguém que faz a pergunta porque precisa saber a resposta, não porque tivesse medo dela.

— Para quem? — disse Maren. — Ao Conselho? — Ela fez um gesto vago na direção da rua. — Eles têm medo do que as pessoas acham que você é. Se souberem o que você realmente é, o medo vai ser maior ainda.

Cal se virou.

Era a primeira vez que Maren o olhava diretamente sabendo o que sabia, e foi diferente. Não porque ele parecesse diferente — parecia exatamente igual. Era ela que havia mudado o filtro.

— Por que voltou? — perguntou ela.

Ele ficou em silêncio por um momento.

— Vi o que fiz — disse por fim. — Fiquei tempo suficiente para ver cada consequência, cada ramificação. — Pausa. — Não há como desfazer. Sei disso.

— Mas?

— Preciso saber se há como fazer diferente.

Maren olhou para ele por um tempo longo. Depois se virou, foi até a prateleira dos fundos, e voltou com o volume grande — Solum: A Saga Completa, capa dura, acabamento dourado.

Colocou sobre o balcão entre os dois.

Cal olhou para o livro sem tocar.

— Eu não sou ele — disse.

— Não — concordou Maren. — Você é outra coisa.

Ela abriu o volume na última página ilustrada — não o épico final da batalha, mas a penúltima cena, que os leitores às vezes pulavam porque era menos espetacular. Solum de costas para o leitor, olhando para uma cidade devastada, os ombros ligeiramente curvados. Sozinho. A legenda dizia apenas: E ainda assim.

— Os livros não guardam os heróis porque eles eram perfeitos — disse Maren, com a mão sobre a página. — Guardam porque eles tentavam. Mesmo quando tinham tudo para não tentar.

Cal olhou para a ilustração.

Depois olhou para ela.

— Você guarda livros proibidos numa cidade controlada por um Conselho que elimina dissidentes — disse ele. — Por quê?

— Porque alguém precisa lembrar que o mundo já foi diferente — respondeu Maren. — Para que possa ser diferente de novo.

O silêncio que se seguiu não era vazio. Era o tipo de silêncio que acontece quando duas pessoas chegam ao mesmo ponto por caminhos opostos e percebem, com alguma surpresa, que o ponto existe.

Lá fora, alguém gritou.

Não um grito de briga — um grito agudo, de pânico. Depois outro. Depois o som inconfundível de estrutura cedendo, o gemido metálico que Novarca havia aprendido a reconhecer como prelúdio de desabamento.

Cal já estava na porta antes que Maren terminasse de se virar.

Ela o viu atravessar a rua, a mochila abandonada na entrada da loja, a postura aquela mesma — ereta, sem pressa, os olhos fixos no que precisava ser feito. As pessoas na calçada recuavam instintivamente, abrindo caminho sem saber por quê, como se alguma coisa muito antiga e muito fundamental em cada ser humano ainda reconhecesse aquele andar específico.

Maren foi até a porta e ficou parada na soleira.

Lá no fundo da rua, onde a estrutura do antigo banco havia finalmente cedido, uma figura erguia vigas de concreto com as mãos e as colocava de lado com o cuidado específico de quem foi destruidor o suficiente para saber exatamente quanto força é necessária para não destruir.

Não havia esperança no rosto dele — ela estava longe demais para ver o rosto. Mas havia a ação. Havia o fato simples e sem ornamento de um ser capaz de passar ao largo, que havia passado ao largo por anos e anos, que havia feito coisas imperdoáveis neste e em outros mundos, erguendo escombros com as mãos e procurando, com metódica urgência, alguém que ainda pudesse ser salvo.

E ainda assim, pensou Maren.

Ela voltou para dentro, foi até a prateleira, e abriu um caderno que guardava atrás dos volumes de dicionário.

Começou a escrever.


Fim do Ato 1

Vinícius Aragão Costa escreve sobre séries, quadrinhos e cultura geek em saladejustica.com.br.

Novarca não tem mais heróis. Tem livros proibidos, fiscais do Conselho, e um andarilho que ergue vigas com as mãos e toca lombadas de livros com cuidado demais. Maren percebeu que havia algo errado com ele. Você também vai perceber — mas só vai entender no ato 4. Bem-vindo a Redenção. Nos encontre no X em @salajusticablog, no Instagram e Facebook em @saladejusticablog.

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